A arte, sua vesícula
de leitura
lhe perdoa o sábado
lhe oferece o Sol
O vértice bruto
entre o amar
e o amargo
A arte, seu espelho
traído
sua tradução – de risco
comida à seco
esculpe o buraco
e o infinito.

Não existe morte

sem morte

Ao pequeno tempo

que percorre as rugas

do silêncio

A morte arranha os pelos

Decalca

se a vida é que assombra

na outra parte, a carne dura

assopra.

Ao amor, que ele perfure as superfícies
penetre nos ossos
nos veios, nos móveis
percorra os perímetros todos
que rompa as membranas
os tímpanos,
Que ele rasgue o dia e a noite
queime a si mesmo, procrie-se
Seja dentro dele, o inteiro todo.

Devo ordens ao que sinto
Aos versos secos, montantes brutos
Aos gigantes cegos
que habitam em mim
Ao que deságua negro
em correntezas, lá dentro
vivo, espesso
O amor, um úmido, no canto
de um poema sem siso
Delírio vago, impreciso
Um precipício.

Escrever tirou-lhe as costelas
de lugar, as sombras
embaçaram as nuvens
Como os olhos que desembaraçam
a paisagem, em letras
cardíacas
A cama dormiu
em seus pés, milhares
de passos em intervalos,
ora de ossos
ora de rasgos.

Do sussurro entre páginas

as guelras das palavras

e a água

Ameaça

a reza (sob as saias)

Torácica

nos compartimentos, ávida

sua Guerra, sua Fala

A armadilha do poema,

um átrio.

O mar era pensamento largo

ideia onda, ideia onde, alastro

De ondas feito dobras, amassos

De onde sal, sensação

Tátil ideia: o mar é a mentira do cal

Onde? Nas salivas, nas vértebras,

Na horizontal

Espesso e vasto, o seu espaço exato

Cabe na poça de areia

Num coral.

Você, em varandas, varal.

Uma pedra de sabão espera

Bolhas

Todas

Em cores, esperam

Ventos,

Cedo você

Espera o tarde,

espera a tarde

alguém soprar.

 

 

 

 

 

 

Atrair as palavras, plantá-las pela casa
Alçá-las em suas salas de sons
suas escápulas ósseas
Pelo corpo, seus deslizes
Entraves. Suas crises-crases
Os hiatos que derramem
seus espaços
pelos miolos das frases
pelo coração de quem escreve.

Literar

Literar

Liter ar

Liter a r

Lite r a r

 

Lit e r  a  r

 

Li t e  r   a   r

 

L i  t  e   r    a     r

 

 

L   i     t    e     r      a      r

 

 

 

L           i            t              e               r               a                 r

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